POR QUE O PT E A ESQUERDA NÃO PODEM DAR TRÉGUA A BOLSONARO

Rogério Correia, Deputado Federal eleito por MG

As críticas que lemos e ouvimos na grande mídia contra a postura oposicionista do PT a Bolsonaro têm um significado: as grandes empresas de comunicação querem uma oposição “light” ao governo de extrema direita que se instalou no país. Não aceitam que o PT e a esquerda sigam numa política de crítica incansável a Bolsonaro e suas ações. “Permitem” apenas pequenas mudanças, algo como “puxões de orelha” no governo, mas nada além disso.

Não podemos esquecer: essas críticas vêm da mesma turma que apoiou o golpe que pôs Michel Temer no poder, depois apoiou a prisão sem provas de Lula (condenado por um tal “ato de ofício indeterminado”, um malabarismo jurídico criado para dar um verniz “jurídico” à total ausência de provas no processo do triplex) e, por fim, apoiou, ou foi indiferente, à eleição de um político medíocre de linha fascista para a presidência da república.

O Brasil piorou desde então. O desemprego aumentou. O rombo nas contas públicas, idem. A pobreza… A fome, que foi atacada pela primeira vez apenas nos governo Lula e Dilma, está voltando às nossas rotinas.

O PT está certo quando emite sinais de nenhuma trégua a um governo claramente antipopular, que não esconde a defesa de teses neoliberais na economia, oprime as minorias e incentiva ações contra a oposição (às vezes até com o uso da violência).

Se há, na história brasileira, ao menos na história republicana brasileira desde o início do século passado, se há um governo que não permite qualquer ilusão de defesa do povo, este governo é o “chefiado” por Bolsonaro. Disso não há dúvida: o discurso e a prática do extremista no poder são inequivocamente coerentes no desprezo a qualquer coisa que cheire a povo.

Defendo, inclusive, que o PT apresente ainda mais coesão nesse discurso e nessa prática de oposição, denunciando diariamente as mazelas do governo Bolsonaro. Em todos os campos, da crítica ao medievalismo bolsonarista nos costumes ao ataque aos direitos dos trabalhadores, passando pela denúncia do neoliberalismo privatista a toque de caixa e ao desprezo aos índios, negros, mulheres e LGBTs: frente a um péssimo governo não há descanso possível.

É preciso, assim sendo, organizar melhor e mais rapidamente os movimentos sociais, políticos e populares em geral, nos preparando para as batalhas que virão pela frente.

Não podemos emitir qualquer sinal de hesitação, sob pena de confundir politicamente o povo, aquele que, ao fim e ao cabo, será o grande prejudicado pelo desgoverno que ora se inicia. Hesitações nesse momento seriam a pior resposta, uma vez que, como já dito, Bolsonaro não as permite em sua prática cotidiana proto-fascista.

O chamado a um Congresso nacional do PT, visando a essa organização, é dessa forma premente. A direção do PT precisa chamar o quanto antes esse grande congresso, numa ação coerente com a ameaça que paira sobre o país e o povo brasileiro.

Nesse último aspecto, cabe elogiar a iniciativa da presidenta Gleisi Hoffmann, que compareceu à cerimônia de posse do presidente Maduro, na Venezuela. A gravidade da situação não nos permite resquício de ilusão: há uma ameaça real de conflito armado no país vizinho, sob patrocínio dos EUA, numa conflagração que pode chegar a uma guerra.

Os americanos querem fazer da Venezuela o que tentaram fazer na Síria – um “canal” geograficamente próximo do seu território, por onde escoariam as enormes reservas de petróleo. Como fizeram na Síria, no Egito e também no Brasil, os EUA não medem esforços no incentivo às oposições locais, ainda que isso provoque o caos interno nesses países (e foi o que verdadeiramente ocorreu na Síria, no Egito e no Brasil, a partir de meados desta década). A severidade desse quadro exige repostas políticas. Não bélicas.

Por isso meu aplauso à iniciativa da direção petista de apoio à posse de Maduro. O que menos precisamos, nessa quadra delicada em que nos encontramos, é de comprar brigas com países aliados, enfraquecendo as tão achacadas democracia e soberania latino-americanas. A alternativa a isso seria aceitar, sem luta, o aumento da hegemonia americana sobre a região.

Apoiar a ida à posse de Maduro, bem como o não comparecimento à posse de Bolsonaro, é fundamental para o PT e as esquerdas, no quadro atual em que se encontra o Brasil. É preciso abandonar qualquer ilusão quanto a Bolsonaro: impossível imaginar que algum dia ele demonstrará algum respeito pela democracia. E por uma razão trivial: ele não quer democracia, ele despreza a democracia, faz e fará o possível para mina-la.

Por isso também defendo a candidatura própria do bloco popular na eleição para a presidência da Câmara. Rodrigo Maia (DEM-RJ) já demonstrou afinação irrestrita com o programa bolsonarista. A aproximação entre ele o PSL de Bolsonaro apenas reforça isso. Precisamos de uma candidatura com mensagem oposta, e de forma ampla, preferencialmente abrigando todas as legendas progressistas que quiserem se juntar a essa corrente.

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A França, isto é uma revolução?

Raquel Varela

Publicado originalmente em: https://www.google.com/amp/s/raquelcardeiravarela.wordpress.com/2018/12/07/a-franca-isto-e-uma-revolucao/amp/

Coisas magníficas estão acontecendo em toda França nestes dias. Extraordinárias. Polícias que retiraram capacetes e cantaram com os manifestantes a Marselhesa; bombeiros que numa homenagem em frente à prefeitura viraram as costas aos políticos vestidos com cores da França e abandonaram a homenagem; manifestantes de extrema-direita expulsos das manifestações pelos Coletes Amarelos; transporte público ocupado pelos manifestantes que impedem que se cobre passagem; há sindicatos da polícia que aderiram à manifestação e sindicatos ferroviários que decidiram não cobrar bilhete aos manifestante que se dirigem a Paris.
Greves e assembleias gerais de estudantes. As centrais sindicais pelegas pedem recuo nos protestos, mas representam menos de 7% dos trabalhadores franceses.
A França vive uma revolta – mas não é um movimento social como outros. É a primeira batalha perdida pelo neoliberalismo, depois da sua grande vitória na derrota dos mineiros nos anos 80 por Margaret Thatcher.
Um novo processo histórico nasceu este mês na França. Tudo pode acontecer – a história acelera agora a uma velocidade que nos parece estonteante.
Em 3 dias Macron recuou 2 vezes, não é certo que o seu mandato sobreviva. O movimento já está na Bélgica.

Vi com encolher de ombros a facilidade com que tantos aqui acreditaram que era a extrema-direita a dirigir aquele que já é o maior movimento europeu contra o neoliberalismo.

Mas alguém imagina que a extrema-direita tem alguma organização para dirigir milhões de pessoas nas ruas há 3 semanas?
Não, as pessoas acreditam porque querem acreditar.
Desta vez não é necessário um aguçado sentido critico, basta ler o Le Monde, o El País e ver a Euronews para perceber o susto na cara de Le Pen nos últimos dias, o pânico na face de Macron e a situação de crise no poder do Estado.
E, sobretudo, o esforço que Macron fez para que Le Pen apareça como responsável e líder de um movimento.
Ora, a esquerda aderiu ao Movimento formalmente, e há vários relatos da extrema-direita expulsa das manifestações.
Também há centrais sindicais amarelas – o que a meu ver é errado.

O fascismo não pode ter espaço algum, porque é inimigo das liberdades, o reformismo, por pior que seja, deve ter liberdade de manifestação.
A cólera do Movimento dirige-se contra as prefeituras, centenas foram atacadas e uma queimada. A crise dos partidos tradicionais é total, há separação entre representantes e representados de massas.

Macron lembrou-se finalmente que foi eleito com menos de 25% dos votos dos franceses?

A França está a viver uma situação inédita desde o Maio de 68.
São trabalhadores, professores e cientistas, aposentados e na ativa, ferroviários e estudantes, e os proletarizados em massa.
O centro da luta é a Diagonal do Vazio, área geográfica de pequenas e médias cidades que vai do nordeste ao sudoeste do país.
Nevers foi o epicentro. A alcunha Vazio vem do desemprego e do encerramento do pequeno comércio.
Nestas cidades os manifestantes – senhores e senhoras envergando o seu colete amarelo – explicam porque têm que usar o carro, e os idosos, para ir às compras a 10 km de distância, porque o grande comércio destruiu as mercearias – conta o El País;

O saque das pequenas lojas é mínimo, a maioria das lojas destruídas são as de alta costura e os grandes armazéns – diz o Le Monde. A revolta começou contra os impostos, estão “fartos” de pagarem para serem cada vez mais excluídos, do acesso à cidade também; outro conta que “não tolera viver num país onde o PM veste uma roupa de 45 mil euros, 3 salários anuais de um operário”; um engenheiro não sabe se “metade dos manifestantes concorda com a outra metade” mas não vai “sair da rua” até que as coisas mudem.
A pressão fiscal em França já é mais de 45%.
Querem emprego e não o rendimento mínimo.
Não são contra a imigração mas defendem que a solução está nos países de origem e que as políticas dos países ricos têm que mudar radicalmente.

Não gosto de violência. Nem de vandalismo ou destruição. Nunca mostrei simpatia pelos jovens desempregados ou sub empregados da periferia que vêm para a rua partir carros em França e Inglaterra.

Ao contrário da direita, acho que eles não nasceram vândalos, acho que são animalizados pela exclusão social que a direita promove.

Ao contrário de uma parte da esquerda organizada não acho que eles sejam uma esperança, nem uma forma de resistência – só vejo no vandalismo desespero e desistência. Sei também que a violência é mínima, a maioria dos bairros pobres tem gente que com esforço incrível vive de trabalho mal pago, e não desiste de viver. São os milhares de jovens que trabalham no comércio, construção civil, a vida deles não é partir, mas trabalhar por quase nada.
Tenho muitas dúvidas sobre se os “partidores” pertencem à classe trabalhadora, não sei se estão mais próximos do lumpen-proletariado. Misturar estes fenómenos, recorrentes na Europa, e minoritários, com o Movimento dos Coletes Amarelos é confundir uma torrada mista com um banquete em Versalhes.

Macron está a caminho de sair mal entrou, e não foi porque houve pancadaria no Arco do Triunfo, mas porque os coletes amarelos pararam a circulação de mercadorias há 3 semanas questionando a autoridade do Estado, que não os conseguiu impedir.
E viram costas às autoridades políticas locais. O Movimento conta com o apoio oficial de 60% dos franceses.

Sabem que mais? Estou feliz estes dias. Ando há anos ouvir falar da “aristocracia” operária europeia e da esperança na periferia do mundo, qualquer movimento camponês com 200 pessoas pessoas na Ásia é mais aplaudido pela esquerda do que uma greve de médicos na Alemanha, logo apelidados de “privilegiados”.
Por isso escrevi um livro de História da Europa, que lembrasse o passado de resistência na Europa, a importância dos sectores médios, a centralidade da produção de valor nos países centrais, a tradição de consciência de classe na Europa – superior a qualquer parte do mundo – os trabalhadores na Europa, sem os quais não haverá solução civilizada no mundo.
Passámos de um eurocentrismo para um periferocentrismo absurdo. Agora…sorte, sorte mesmo, porque tal precisão temporal não pode ser atribuída à previsão cientifica, é que o meu livro Um Povo na Revolução foi publicado em França justamente este mês.
Eles não fazem ideia, os coletes amarelos, como esse pedaço de coincidência irrelevante para a história da humanidade me divertiu. Vou ceder no meu gosto por roupa bonita e vestir o tal do Colete Amarelo.

Não olhem para o Arco do Triunfo em chamas, essas imagens de caos, mas para o triunfo da defesa organizada da cidade humanizada, do emprego com direitos, de um mundo justo, sem impérios e brutalidade social.
Os coletes amarelos são isso, quanto mais apoio tiverem de pessoas que acreditam na vida civilizada mais serão ainda parte da solução.

*Raquel Varela é historiadora e investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

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Considerada uma das maiores lideranças feministas no Brasil, a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) publicou em suas redes sociais dados alarmantes sobre casos de violência contra mulheres no começo do ano no Brasil. Citando reportagem do jornal O Globo, a deputada registrou que ‘em apenas 11 dias, 33 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil’. Ela também sugeriu que se faça uma mobilização ‘para mostrar que não vamos aceitar a total destruição dos parâmetros básicos da civilização e dos direitos humanos’.

Fonte: Manuela aponta dados alarmantes de feminicídio e sugere mobilização – Portal Vermelho

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Nossa reportagem levantou todos os salários de militares e encontrou centenas acima do teto, indenizações de mais de R$ 100 mil e valores milionários pagos no exterior

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Por que Lula serve de moeda de troca para o Toffoli?

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Pedro Gorki: O problema do Brasil não é se a escola tem ou não partido – Portal Vermelho

Na saída de mais uma sessão conturbada da comissão especial que debate o projeto ‘Escola sem Partido’, nesta quarta-feira (5), o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Gorki, conversou com o Portal Vermelho sobre as perspectivas de luta da juventude para o próximo ano. Por Iberê Lopes*

Fonte: Pedro Gorki: O problema do Brasil não é se a escola tem ou não partido – Portal Vermelho

Dilma repudia mentiras de Palocci – Portal Vermelho

A assessoria de imprensa da ex-presidenta Dlma Rousseff onde afirma que é ‘importante que os termos da delação implorada do senhor Palocci, enfim, venham a público para que suspeitas possam ser rebatidas com a força da verdade”

Fonte: Dilma repudia mentiras de Palocci – Portal Vermelho