Bolsonaro, necropoder e o genocídio iminente.

Jair Bolsonaro REUTERS/ADRIANO MACHADO

Por Juarez Guimarães, professor de Ciência Política da UFMG

A população brasileira está inevitavelmente à mercê da maior catástrofe social de sua história enquanto Bolsonaro estiver no governo.

Ao se posicionar contra a construção de um fim democrático imediato ao governo Bolsonaro, inclusive publicamente contra um possível encaminhamento de um impeachment, a maioria da direção do PT está cometendo o maior erro de sua história. Mais grave, inclusive, do que aquele que indicou Levy para o comando da economia, desarticulando de saída uma base política e social popular de luta contra os golpistas. Como maior partido da oposição, como potencial nucleador da esquerda e do movimento democrático popular, a posição do PT torna-se politicamente, de modo inconsciente, uma âncora da continuidade do governo Bolsonaro. Se nem o PT ( ou a maioria do PSOL ou o PC do B ) defendem o fim democrático do governo Bolsonaro, porque o defenderiam os neoliberais que fazem parte da coalizão que elegeu Bolsonaro?

A proposta de primeiro derrotar o coronavirus e, depois, derrotar o governo Bolsonaro é feita em nome de que a defesa da vida do povo brasileiro deve vir antes de qualquer cálculo de tática política. Mas falta a esta proposta o mínimo entendimento de cultura sanitária: não é possível derrotar o coronavirus com Bolsonaro no governo do Brasil!

Se o PT estivesse hoje no governo, em uma frente de esquerda, reunindo em torno de si toda a inteligência sanitária do país, seria já muito difícil deter o avanço do coronavirus e evitar uma catástrofe. Nestes últimos cinco anos, muito se destruiu no país do ponto de vista da rede social de proteção: a rede do Programa Médico de Família (que cobria 65 milhões de brasileiros), a massiva retirada de investimentos do SUS, do Sistema Único de Assistência Social, do Bolsa Família, um radical avanço do desemprego, da informalidade, das populações de rua, dos setores mais vulneráveis. A inteligência sanitária já falava, pela voz de um dos seus mais autorizados intelectuais, Gastão Wagner, no risco de uma “barbárie sanitária”. Isto, antes da pandemia.

O que o governo Bolsonaro vem fazendo – de modo totalmente contraditório, desarticulado, retardado e principalmente com seu viés anti-sanitarista e neoliberal – é absolutamente ineficaz para deter a escalada da pandemia no Brasil. Com a pandemia já instalada, Bolsonaro continua defendendo a realização de cultos evangélicos! O ministro da Saúde, que vem da área privatista, já decretou o colapso do sistema de saúde diante do aumento previsto dos casos para fins de abril! E o ministro da economia mobiliza recursos para atender empresários e ataca os trabalhadores!

Na última reunião do Diretório Nacional do PT, já realizada em plena pandemia e crise aguda da economia, como um “shadow cabinet” ( um governo paralelo), a maioria fez aprovar linhas de enfrentamento da pandemia e da crise. São recomendações ao governo Bolsonaro? São marcações de posição para acumular força em uma futura disputa eleitoral? Na verdade, prevalece, na prática, uma política de “fazer oposição” ao governo Bolsonaro, preservando o seu mandato.

Necropoder

Quando perguntado sobre um alívio da superpopulação prisional brasileira diante da ameaça de contaminação do coronavirus, Moro logo se pronunciou que isto seria uma ameaça à sociedade. Na fala, o fascista se auto-denuncia: então os 812 mil presos no Brasil, 41,5 % sem sequer ter sido julgados, segundo o Conselho Nacional de Justiça, não fazem parte da sociedade?

Devemos a Achile Mbembe, atualizando o discurso denunciador da violência colonial de Franz Fanon, o conceito de necropoder para denunciar um poder que, em sua própria lógica, descarta, estupra e mata. A escravidão teria sido uma experiência de necropoder, assim como em geral a violência colonial na América, na África, e na Ásia. Fascismo e nazismo seriam experiências de necropoder. A população da Palestina – e em tantas áreas de guerra no mundo contemporâneo – vive sob o necropoder. O neoliberalismo, em sua forma expansiva, tem uma racionalidade de necropoder.

O governo Bolsonaro é um governo formado e dirigido por uma dinâmica de necropoder em, pelo menos, sete dimensões.

Em primeiro lugar, por defender explicitamente a tortura, a ditadura militar e o uso da violência na política, inclusive com freqüência o “extermínio dos adversários”.

Em segundo lugar, por atuar para legitimar, legalizar e aumentar a violência policial contra as populações pobres. Como se tem documentado, a letalidade das ações policiais têm aumentado vertiginosamente.

Em terceiro lugar, por incentivar o feminicídio, como expressão de suas políticas, ao mesmo tempo, armaentistas e agressivamente contrárias aos direitos das mulheres. De novo, as estatísticas sinalizam o recrudescimento destes crimes.

Em quarto lugar, por praticar, ultrapassando todos os limites da crueldade, cortes em cadeia em políticas de grande repercussão social, inclusive atingindo diretamente as populações mais vulneráveis e mais pauperizadas. Além de mais desigual, o Brasil já retornou ao Mapa da Fome.

Em quinto lugar, por atacar as próprias bases de financiamento e organização do SUS, já deficiente, apesar de todas as suas conquistas históricas. O corte massivo de verbas, a desorganização do Programa Médico de Família, os planos de privatização criam um contexto de “barbárie sanitária”. A mortalidade infantil, em queda desde décadas, voltou a subir no Brasil.

Em sexto lugar, os ataques violentos aos movimentos sociais do campo, aos quilombolas e às populações indígenas legitimam a retomada exponencial dos crimes inomináveis cometidos pelas grandes mineradoras e empresários agrários. A CPT tem registrado o inventários destes assassinatos.

Por fim, a própria natureza miliciana do governo, seu estreito contato com a dinâmica das milícias, abrem certamente um canal de contágio das instituições – antes no Rio, agora em todo o Brasil – com o crime organizado, que opera com a moeda corrente da violência.

Não se pode, nem se deve, nem está inscrito em qualquer lógica democrática, fazer simplesmente oposição a um governo de necropoder, contabilizando o seu desgaste eleitoral para uma vitória ao final de seu mandato. Com base mesmo na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelece um mínimo civilizatório, seria preciso por fim democrático a um governo de necropoder. Quando se conforma com a violação diária dos direitos humanos, é a própria identidade política democrática que se perde. Até a luta democrática passa a girar em torno a um espaço vazio.

Construir uma saída democrática

As esquerdas brasileiras, desde o início, por uma dificuldade de caracterização do governo Bolsonaro, por confusão e, principalmente, pelo seu viés institucionalista, que prevalece mesmo em uma ambiência de golpe e violação constitucional permanente, adotaram um tom oposicionista em relação ao governo Bolsonaro como se ele tivesse sido formado e se orientasse por um princípio de respeito à democracia.

Esta postura tem se apoiado em três argumentos. O primeiro deles diz respeito à legitimidade do governo Bolsonaro: afinal, ele foi eleito por uma maioria de brasileiros. Este é um argumento desmoralizante: ele só pode ser eleito pelo golpe contra a presidenta Dilma, devido à prisão ilegal de Lula, devido ao investimento ilegal e massivo de empresas em fake news. Em uma democracia, minimamente constitucional, Bolsonaro com sua retórica fascista nem poderia mesmo ser candidato!

O segundo argumento percorre o caminho das alianças e tem sido defendido principalmente pelo PC do B. Diante do inimigo fascista, a esquerda deveria fazer frente política, não necessariamente eleitoral, com os neoliberais que hoje estão na direção da Câmara dos Deputados, no PSDB e no PMDB, em partidos do mal chamado “centrão”. Ora, estes “aliados” neoliberais têm seguidamente apoiado o governo Bolsonaro em suas medidas mais importantes de cortes de direitos sociais, trabalhistas e em suas políticas anti-nacionais de privatização. Sem formar uma identidade frentista própria, as esquerdas submergem no “pântano neoliberal”, de acomodação semi- oposicionista ao governo Bolsonaro, dividem as suas bases sociais e desorganizam o seu caminho democrático. Seria necessário formar uma unidade ampla democrática e popular e se relacionar, em circunstâncias precisas e delimitadas, com as contradições da coalizão neoliberal que sustenta Bolsonaro.

O terceiro argumento, repetido sem parar, é a força política de Bolsonaro, impossível de ser derrotada na atual conjuntura. A correlação de forças seria desfavorável a qualquer movimento democrático de por fim ao governo Bolsonaro. Ora, o contrário é evidente: o governo Bolsonaro, por seu caráter de facção e por sua política econômica fortemente anti-impopular, não consegue estabilizar uma base parlamentar e vê sua base de apoio social minguar continuamente. O único período em que esta tendência foi suspensa – não invertida – foi no final de 2019, quando um coro ensurdecedor de toda a mídia neoliberal, passou para a população a idéia de que a retomada da economia havia começado. Mas esta nova ilusão se desfez logo como espuma.

A defesa de uma política democrática para por fim ao governo Bolsonaro foi a principal bandeira das esquerdas do PT na preparação do 7º Congresso do partido. Mas lá ela foi derrotada, com o pressuposto não discutido que deve-se esperar 2022. Agora, ela retorna através da voz ouvida nos panelaços e por uma forte agudização da crise do governo Bolsonaro.

Errar na política é comum, mais freqüente ainda quando se formam e se tomam decisões sem ouvir e debater reflexiva e democraticamente as opiniões diferentes. O melhor dos 40 anos do PT foi sempre sua democracia interna e sua sensibilidade para a voz das ruas.

Mas há erros políticos – pela tragédia que contribuem para gerar – que não podem ser reparados. Estamos diante de uma tal situação. A luta contra a pandemia do coronavirus só pode ser levada adiante, com um mínimo de possibilidade de redução de sues enormes danos, se for combinada com a luta pelo fim democrático do governo Bolsonaro.

Fonte: https://jefersonmiola.wordpress.com/2020/03/22/bolsonaro-necropoder-e-o-genocidio-iminente-por-juarez-guimaraes-2/amp/?__twitter_impression=true

Bolsonaro, necropoder e o genocídio iminente, por Juarez Guimarães

Em greve, petroleiros voltam a subsidiar combustíveis a preços justos

QUINTA, 13 FEVEREIRO 2020

Em greve, petroleiros voltam a subsidiar combustíveis a preços justos

[FUP | Foto: Itamar Sanches/Sindipetro SP]

Nesta quinta-feira, 13, quando os petroleiros completam 13 dias em greve, a FUP e seus sindicatos realizam novas ações solidárias para que a população possa ter acesso a combustíveis com preços justos. O objetivo é alertar os consumidores sobre os prejuízos causados pela política de preços que a Petrobras adota desde 2016 e que faz parte do pacote de desmonte e privatização da empresa.

Ao longo da manhã de hoje, os sindicatos estarão subsidiando descontos de botijões de gás e gasolina em sete estados do país – Amazonas, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Na sexta, também haverá subsídios de combustíveis no Rio Grande do Norte e Ceará.

Desde o início da greve, os petroleiros já realizaram ações semelhantes no Paraná, em Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Apesar de extrair petróleo com um dos custos mais baixos do planeta, a Petrobrás reajusta os preços dos derivados nas refinarias de acordo com as variações do mercado internacional e, consequentemente, do dólar, que já chegou a R$ 4,30.

Além disso, a empresa vem reduzindo o uso de suas refinarias, que operam hoje abaixo de 70% da capacidade. Há seis anos, as refinarias operavam com 95% de capacidade.

Ou seja, o Brasil está importando combustíveis que poderiam ser produzidos no país, o que nos deixa ainda mais expostos aos efeitos das crises internacionais. A situação ficará ainda mais grave com a venda de oito das 15 refinarias da Petrobrás.

Confira os locais das ações solidárias dos petroleiros nesta quinta:

Belford Roxo (RJ)

Horário: 9h Local: Rua Padre Egídio, 78 – bairro Lote 15 (Paróquia São Simão) Combustível: Gás de cozinha – 50 botijões

Salvador (BA)

Horário: 11h Local: Posto BR – Avenida Vasco da Gama, em frente à antiga Coca-Cola Combustível: Gasolina – 100 vouchers

Manaus (AM)

Horário: 10h Local: Avenida José Lindoso (antiga Avenida das Flores), s/n, Loteamento das Orquídeas Combustível: Gás de cozinha – 200 botijões

Esteio (RS)

Horário: 10h Local: Rua Rio Grande, 2092, Centro Combustível: Gás de cozinha – 100 botijões

Jaboatão dos Guararapes (PE)

Horário: 10h Local: Rua Boa Esperança, s/n – em frente à Escola Estadual Nestor Gomes de Moura – bairro Vila Rica Combustível: Gás de cozinha – 200 botijões

São Mateus (ES)

Horário: 8h Local: BR-101, km 67,5 (portaria da Base 61, sede da Petrobrás em São Mateus) Combustível: Gás de cozinha – 100 botijões

Cosmópolis (SP)

Horário: 17h Local: cruzamento entre a Avenida do Trabalhador e a Avenida da Saudade Combustível: Gás de cozinha – 100 botijões

Fonte: https://www.fup.org.br/ultimas-noticias/item/24945-em-greve-petroleiros-voltam-a-subsidiar-combustiveis-a-precos-justos

Em festa dos 40 anos do PT, Lula critica precarização e Mujica faz apelo a juventude

Lula falou com público de 5 mil pessoas na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio

Fonte: Em festa dos 40 anos do PT, Lula critica precarização e Mujica faz apelo a juventude

Em MG, 80% dos petroleiros aderem à greve

Petroleiros em frente à Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), que gera ao município cerca de R$ 400 milhões

Fonte: Em MG, 80% dos petroleiros aderem à greve

BOLSONARO ESTÁ ARRUINANDO OS PLANOS DE STEVE BANNON

Liana Cirne Lins*
Sempre pensei ser Bolsonaro uma mera peça de engrenagem de uma máquina montada por uma fortíssima estrutura conservadora, fora do País, que controlaria, sobretudo, as eleições de Países Subdenvolvidos. Entretanto, depois da Vitória, viram que a figura, caricatura mal desenhada de presidente, não mais atende às expectativas e planos dessa grande estrutura montada. É tosca e por demais desqualificada. Felizmente, externa e internamente, essa grande orquestra, cujo maestro é Steve Bannon, começa a desafinar; a harmonia do conjunto começa a se desfazer.

Jair Bolsonaro, Steve Bannon

Por caminhos tortuosos, Bolsonaro se transformou em garoto propaganda às avessas. Sim, Bolsonaro vai salvar o mundo. Mas naturalmente não pelo que ele tem de bom, se é que tem, mas pelo que tem de péssimo, bufão e ignominioso.

Bolsonaro é a caricatura, exagerada, patética e monstruosa, dos políticos caricatos da extrema-direita do mundo todo. Mas antes de tudo, Bolsonaro é um produto de Steve Bannon. Ele não é um fato isolado na geopolítica, mas uma peça num mosaico que vinha sendo cuidadosamente construído, através da metodologia que levou décadas para ser desenvolvida, tendo como laboratório eleições em países pobres, e que culminou com a aprovação do Brexit com a campanha “Leave.EU“, a eleição de Trump, a campanha “Do So!” em Trinidad & Tobago e, enfim, a eleição de Bolsonaro.

Em síntese apertada, a metodologia consiste no armazenamento de dados pessoais sobre nossos perfis psicológicos e pessoais, por meio do Facebook, do Google e de aplicativos correlatos, como nos mostra o excelente documentário ‘Privacidade Hackeada’. Esses dados foram vendidos para a Cambridge Analytica, que desenvolveu o algoritmo e a tecnologia que vinha definindo, com muito sucesso, a política e a economia do mundo contemporâneo. Estamos falando da indústria mais lucrativa do mundo, já que o ativo mais valioso do mundo não é o petróleo ou produto do gênero. É o banco de dados que fornecemos (in)voluntariamente através das redes sociais, sem fazer a menor ideia do quanto isso nos custa do ponto de vista particular e, menos ainda, do ponto de vista coletivo, político, econômico e social.

A metodologia é simplesmente impressionante. Com nossa geolocalização, a equipe de Steve Bannon consegue fazer um mapa extremamente preciso, dispondo de nossos perfis psicológicos, nossa faixa etária e todas as informações necessárias para alterar nosso comportamento. Nas palavras da Cambridge Analytica, o Santo Graal da comunicação é obter a modificação comportamental dos usuários das redes sociais. Naturalmente, é mais fácil fazer isso com o grupo de indivíduos classificados como persuadíveis ou suscetíveis, ou seja, pessoas que podem mudar sua inclinação política de modo mais fácil. Logo, o grupo alvo da Cambridge Analytica era o grupo considerado apático, ou seja, o grupo de pessoas a princípio indiferentes à política.

E como funciona a metodologia de uso de nossos dados pessoais? Depois de identificar quem são as pessoas do grupo suscetível a ter seu comportamento modificado por propaganda e mapeado pela geolocalização, eles iniciam propriamente a campanha. Trump gastava um milhão de dólares por dia com anúncios de facebook. Mas não eram anúncios da campanha de Trump. Eram sobretudo anúncios da campanha antissistema. Cada pessoa era bombardeada por conteúdos desenvolvidos exclusivamente para ela, voltados a deixá-la mais suscetível a mudar seu comportamento. A campanha de Trump associou Hillary Clint ao sistema. Ou seja, a tudo que estava errado. Ao sistema financeiro, ao sistema político velho, ultrapassado e corrupto. E o encerramento da campanha obviamente se dava com a apresentação de Trump como solução salvacionista contra “tudo o que está aí”. O mesmo enredo foi utilizado com Bolsonaro e com a campanha antipetista. Nós vimos isso acontecer com nossas famílias e amigos.

Nós vimos “pessoas normais” acreditarem em mamadeira de piroca, que o Brasil era comunista, que tudo era culpa do PT. O PT foi associado com tanto sucesso ao sistema – o que é um paradoxo, já que foi um governo minimamente trabalhista e inclusivo numa história de séculos de dominação oligarca – que a maioria do povo preferiu votar num candidato assumidamente estúpido, preconceituoso, radical e despreparado, porque ele era “antissistema” (sic).

Segundo a previsão dos especialistas, a metodologia desenvolvida ainda teria o poder de influenciar eleições e comportamentos pelos próximos dez anos, no mínimo, funcionando para ascensão de programas de extrema direita baseados no ódio, no racismo, na homotransfobia, na misoginia, xenofobia, na erradicação de direitos trabalhistas, privatização de empresas estatais e outras agendas neoliberais e neofascistas.

Entretanto, depois de consecutivas vitórias de Steve Bannon – em síntese, aprovação do Brexit no referendo popular, eleição de Trump, eleição de Macri, eleição de Bolsonaro – seguia firme para a eleição de Salvini, na Itália e a consolidação do Brexit, pelas mãos do primeiro-ministro conservador, Boris Johnson. Entretanto, Bannon não contava com Bolsonaro. Não teve capacidade para imaginar que estava atuando para colocar no poder alguém capaz de deixar de receber um ministro de relações exteriores para cortar o cabelo, chamar a primeira dama de outro país de feia, tecer sua própria versão do “l’Etat c’est moi” com “Eu ganhei, porra! Johnny Bravo ganhou!”, negar as queimadas na Amazônia, mandar o povo defecar dia sim, dia não, em ironia à crise ambiental, mandar recados grosseiros para líderes dos países do G7, entre uma lista interminável de falsidades, equívocos e constrangimentos jamais vistos em um chefe de governo, como, inclusive, acentuou Macron em conversa flagrada pela imprensa: não é postura de um presidente.

Bolsonaro é o retrato de Dorian Gray: ignóbil, perverso, bufão, imbecil e incompetente. Eleito pelo voto democrático do povo brasileiro. O resultado, trágico, está porém provocando um contraponto inesperado. Bolsonaro está revertendo a série de vitórias de Bannon. Bolsonaro está prevenindo a modificação comportamental dos usuários das redes sociais para o que Bannon trabalha. O retrato de Dorian Gray é tão assustador que as pessoas estão se tornando menos persuadíveis e suscetíveis ao tomarem Bolsonaro como referência de um futuro à espreita. E como disse a amiga Elika Takimoto, enquanto alguns brasileiros se preocupam em não virar a Venezuela, o mundo inteiro está preocupado em não virar o Brasil.

Essa é a mensagem de Bolsonaro para o mundo. E essa mensagem é rápida. É certeira. É eficaz. Ela é racional, mas sobretudo emocional. As pessoas sofrem de um sentimento inequívoco de vergonha alheia ao verem o resultado do voto antissistema. O cenário pós-Bolsonaro trouxe para Bannon derrotas significativas e alguns avanços para a humanidade. Salvini derrotado na Itália. Boris Johnson, na Inglaterra, sofrendo consecutivas derrotas, vê o Brexit escapulindo. Macri caminhando para uma derrota estrondosa na Argentina. John Bolton, conselheiro de segurança nacional, nacionalista e belicista, principal interlocutor entre os governos Trump e Bolsonaro, foi demitido do governo Trump na semana passada. E o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontra-se em minoria e fracassa em seu intento de continuar governando Israel à frente de uma maioria parlamentar sólida.

Por caminhos tortuosos, Bolsonaro se transformou em garoto propaganda às avessas. Um Midas coprólogo, que tudo o que toca vira – perdoem a vulgaridade da linguagem presidencialesca – merda. A extrema direita está murchando como a virilidade do machão na água gelada.”

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*Professora da Faculdade de Direito da UFPE, 18/09/2019.

Gilmar Mendes passa ‘sebo nas canelas’ antes do Roda Viva

Fonte: Gilmar Mendes passa ‘sebo nas canelas’ antes do Roda Viva

Em defesa da Educação: Entidades convocam 48h de paralisação – Portal Vermelho

Os diretores da executiva da União Nacional dos Estudantes (UNE) reunidos na sede das entidades estudantis na última terça-feira (10) decidiram aderir à Greve Geral da Pós-Graduação e da Ciência e Tecnologia no dia 2 de Outubro.

Fonte: Em defesa da Educação: Entidades convocam 48h de paralisação – Portal Vermelho

Flávio Dino a Haddad: “Vamos vencer a eleição de 2022. Tenho certeza” – Portal Vermelho

Nomes frequentemente cotados como candidatos à Presidência nas eleições 2022, Fernando Haddad (PT) e Flávio Dino (PCdoB) se reuniram nesta segunda-feira para um compromisso “jornalístico”: o governador maranhense foi o convidado do Painel Haddad, programa apresentado pelo ex-ministro petista nas redes sociais e na AllTV. Otimista, Dino afirmou que as forças democráticas e progressistas têm tudo para surpreender nas próximas eleições municipais, em 2020, e também na presidencial, em 2022.

Fonte: Flávio Dino a Haddad: “Vamos vencer a eleição de 2022. Tenho certeza” – Portal Vermelho

Hoje são livres os que resistem.

Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo que só a grande Filosofia, como exercício de pensar fora do senso comum, é capaz de produzir.

Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? Como se podia ser livre sob a cerrada opressão do invasor que fiscalizava os gestos mais triviais do cotidiano? Porque, dizia Sartre, cada gesto era um compromisso.

A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma.

Em linguagem retórica e poética Rosa de Luxemburgo disse algo semelhante: quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.

Sartre era existencialista: a existência precede a essência. Isto significa que não há algo anterior à existência que impeça um ser humano de tomar livremente as decisões que construirão o seu futuro. Isto dá ao humano a plena imputabilidade pelos seus atos. O que ele faz da sua existência é culpa ou mérito exclusivamente seu. O que ela é hoje resulta de decisões que tomou no passado, e o que será resultará das decisões que toma no presente.

A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável.

Na França colaborava-se por ser fascista ou filofascista. Por egoísmo social. Por ressentimento. Por ódio de classe. Para pequenas vinganças privadas, para atingir um inimigo pessoal. Colaborava-se por ausência de qualquer sentimento de solidariedade social. A colaboração com o invasor desvelava a mais baixa extração moral. Quanto a nós, tomo como paradigma uma cena do cotidiano que presenciei dia desses. Duas mulheres ao meu lado conversavam. Uma disse que seu filho de 13 anos era fã do Bolsonaro. A outra, algo espantada, faz uma crítica sutil, perguntando se ela não conversava com o filho sobre política. A resposta: “acho bonito que meu filho seja politizado nessa idade”. Com isto, quis dizer que não importava de que modo seu filho estava precocemente se politizando.

Pode-se razoavelmente supor que ela, mulher, ignore que Bolsonaro disse que há mulheres que merecem ser estupradas? Que saudou, diante de todo país, em rede nacional de televisão, o mais célebre torturador da ditadura militar? Que declarou que prefere o filho morto se ele for homossexual? Como ignorar isso tudo é altamente improvável, porque seria supor que tal mulher vive em uma bolha impenetrável em plena era das redes sociais, podemos concluir, com Sartre, que escolheu o sórdido para si e para seu filho. O que resultará dessa escolha não poderá ser imputado a Deus, ao destino, aos fatos da natureza ou a qualquer fórmula vaga e estúpida do tipo “a vida é assim”, mas a ela mesma e a seus pares brancos de classe média que tem atitudes semelhantes.

Do mesmo modo como a parcela colaboracionista da sociedade francesa escolheu a opressão do invasor estrangeiro, parcela da sociedade brasileira escolheu o retrocesso, o obscurantismo e a selvageria.

Foi em massa às ruas em nome do combate à corrupção apoiando um processo político liderado por notórios corruptos.

Regozija-se com o câncer e com o AVC do adversário politico, demonstrando completa ausência de qualquer traço de fraternidade e respeito ao próximo.

Suas agruras e dificuldades econômicas e sociais transformam-se em ódio justamente contra os excluídos e em apoio às ricas oligarquias que controlam a vida política do país (das quais julgam-se espelhos), a fórmula clássica do fascismo.

Permanece indiferente, omissa ou dá franco apoio ao aniquilamento de direitos, ao fim, na prática, da aposentadoria para milhões de brasileiros, à eliminação dos direitos trabalhistas, à entrega do patrimônio nacional a grandes empresas estrangeiras.

Seu ódio transforma em esgoto as redes sociais.

Não há como prever o que acontecerá a esta sociedade. Uma convulsão social poderá desalojar os usurpadores do poder, ou poderemos seguir para o cadafalso como povo. A História sempre é prenhe de surpresas. O que é certo, no entanto, tomando a frase de Sartre, é que somente poderão dizer no futuro que foram livres, no Brasil pós-golpe de 2016, os que agora estão se comprometendo e resistindo. É uma trágica liberdade de tempos sombrios, mas se nos foi dado viver neste tempo, que vivamos com a dignidade que somente os seres livres podem ostentar.

Hoje são livres os que resistem.

Márcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.

O Rei está nu! – Portal Vermelho

As novas revelações sobre as promíscuas relações entre o Juiz Sergio Moro e a tropa de procuradores da Lava Jato são de fato, como disse o próprio Glenn Greenwald, o que de mais grave, “até agora”, veio à tona (este “até agora” é importantíssimo). Por Wevergton Brito*

Fonte: O Rei está nu! – Portal Vermelho