João Pissarra Esteves

JI Entrevista: o professor João Pissarra Esteves da Universidade Nova de Lisboa

No contexto histórico atual, é possível observar, vários acontecimentos que demonstram a fragilidade dos valores democráticos das instituições nas sociedades contemporâneas, principalmente, no que se refere ao papel desempenhado pelos meios de comunicação de massa, ou como são mais conhecidos a mídia.

No Brasil, especificamente, a atuação dos grupos de comunicação, considerados como mídia tradicional, tem deixado transparecer uma contaminação danosa entre o fazer da comunicação e os interesses privados de setores, economicamente, predominantes na sociedade brasileira.

A escolha por essa abordagem, majoritária na mídia tradicional, muitas vezes, ultrapassa os limites éticos do jornalismo e transborda para uma doutrinação político partidária, isso, por si só, já caracteriza uma disfunção do papel social da comunicação e agrava a grande distância existente entre a realidade cotidiana e uma pseudo realidade midiática.

Dessa forma, passa a existir uma distorção entre a realidade político-social  e as versões expressas e difundidas na mídia tradicional.  O que, certamente, demonstra a prioridade em se produzir – aqui em seu contexto de reprodução capitalista – uma comunicação de massa que abasteça, cada vez mais, uma audiência operativa e, com  isso, reduza, sobremaneira, a formação de um público crítico e atuante.

Como resultado, é possível perceber, nesse caso,  como a opinião pública é levada impositivamente sempre em direção à uma  versão única dos fatos e não, como deveria ser, incentivada a constituir-se de maneira autônoma, ou seja, a opinião pública, formada e informada a partir dos mídias tradicionais, é conduzida à replicar como seu o resultado do conjunto de interesses de grupos sociais que buscam, para si, a legitimação de um poder absoluto.

Essa realidade é relevante e merece uma reflexão permanente de todas e todos. É por isso que perguntamos: e nós com isso? Para jogar um pouco de luz sobre o assunto e, quem sabe, suscitar mais questionamentos e dúvidas, o “jornalistasinconfidentes.org” aproveitou a passagem, por Belo Horizonte, do professor associado do departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, João Pissarra Esteves para conversar sobre a atuação e o papel das mídias na comunicação política em um ambiente de democracia em crise.

Doutor em ciências da comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e mestre em comunicação pela mesma faculdade João Pissarra esteve no Brasil, em outubro de 2016, a convite do programa de pós-graduação em comunicação social da UFMG para ministrar o curso “Comunicação Política e Media”.

Pissarra  recebeu, para a entrevista, a jornalista Margareth Pettersen e o jornalista Arildo Hostalácio no Auditório Professor Baesse, na Faculdade  de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), em Belo Horizonte, onde falou sobre a abrangência do tema comunicação política e mídia e da impossibilidade em se separar, hoje, comunicação política da mídia. Falou ainda sobre como a realidade da comunicação entre as pessoas é cada vez mais uma realidade midiática  e de como, por meio da mídia,  essas pessoas, em sua generalidade, tomam certa consciência do que é o mundo político e quais são os acontecimentos e os eventos políticos.

Nesse contexto, as relações entre política e mídia podem tomar outras dimensões que não a dimensão democrática e, atualmente, em muitas circunstâncias, a comunicação política da mídia tende a assumir características não propriamente democráticas, afirma João Pissarra.

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