BOLSONARO ESTÁ ARRUINANDO OS PLANOS DE STEVE BANNON

Liana Cirne Lins*
Sempre pensei ser Bolsonaro uma mera peça de engrenagem de uma máquina montada por uma fortíssima estrutura conservadora, fora do País, que controlaria, sobretudo, as eleições de Países Subdenvolvidos. Entretanto, depois da Vitória, viram que a figura, caricatura mal desenhada de presidente, não mais atende às expectativas e planos dessa grande estrutura montada. É tosca e por demais desqualificada. Felizmente, externa e internamente, essa grande orquestra, cujo maestro é Steve Bannon, começa a desafinar; a harmonia do conjunto começa a se desfazer.
Jair Bolsonaro, Steve Bannon

Por caminhos tortuosos, Bolsonaro se transformou em garoto propaganda às avessas. Sim, Bolsonaro vai salvar o mundo. Mas naturalmente não pelo que ele tem de bom, se é que tem, mas pelo que tem de péssimo, bufão e ignominioso.

Bolsonaro é a caricatura, exagerada, patética e monstruosa, dos políticos caricatos da extrema-direita do mundo todo. Mas antes de tudo, Bolsonaro é um produto de Steve Bannon. Ele não é um fato isolado na geopolítica, mas uma peça num mosaico que vinha sendo cuidadosamente construído, através da metodologia que levou décadas para ser desenvolvida, tendo como laboratório eleições em países pobres, e que culminou com a aprovação do Brexit com a campanha “Leave.EU“, a eleição de Trump, a campanha “Do So!” em Trinidad & Tobago e, enfim, a eleição de Bolsonaro.

Em síntese apertada, a metodologia consiste no armazenamento de dados pessoais sobre nossos perfis psicológicos e pessoais, por meio do Facebook, do Google e de aplicativos correlatos, como nos mostra o excelente documentário ‘Privacidade Hackeada’. Esses dados foram vendidos para a Cambridge Analytica, que desenvolveu o algoritmo e a tecnologia que vinha definindo, com muito sucesso, a política e a economia do mundo contemporâneo. Estamos falando da indústria mais lucrativa do mundo, já que o ativo mais valioso do mundo não é o petróleo ou produto do gênero. É o banco de dados que fornecemos (in)voluntariamente através das redes sociais, sem fazer a menor ideia do quanto isso nos custa do ponto de vista particular e, menos ainda, do ponto de vista coletivo, político, econômico e social.

A metodologia é simplesmente impressionante. Com nossa geolocalização, a equipe de Steve Bannon consegue fazer um mapa extremamente preciso, dispondo de nossos perfis psicológicos, nossa faixa etária e todas as informações necessárias para alterar nosso comportamento. Nas palavras da Cambridge Analytica, o Santo Graal da comunicação é obter a modificação comportamental dos usuários das redes sociais. Naturalmente, é mais fácil fazer isso com o grupo de indivíduos classificados como persuadíveis ou suscetíveis, ou seja, pessoas que podem mudar sua inclinação política de modo mais fácil. Logo, o grupo alvo da Cambridge Analytica era o grupo considerado apático, ou seja, o grupo de pessoas a princípio indiferentes à política.

E como funciona a metodologia de uso de nossos dados pessoais? Depois de identificar quem são as pessoas do grupo suscetível a ter seu comportamento modificado por propaganda e mapeado pela geolocalização, eles iniciam propriamente a campanha. Trump gastava um milhão de dólares por dia com anúncios de facebook. Mas não eram anúncios da campanha de Trump. Eram sobretudo anúncios da campanha antissistema. Cada pessoa era bombardeada por conteúdos desenvolvidos exclusivamente para ela, voltados a deixá-la mais suscetível a mudar seu comportamento. A campanha de Trump associou Hillary Clint ao sistema. Ou seja, a tudo que estava errado. Ao sistema financeiro, ao sistema político velho, ultrapassado e corrupto. E o encerramento da campanha obviamente se dava com a apresentação de Trump como solução salvacionista contra “tudo o que está aí”. O mesmo enredo foi utilizado com Bolsonaro e com a campanha antipetista. Nós vimos isso acontecer com nossas famílias e amigos.

Nós vimos “pessoas normais” acreditarem em mamadeira de piroca, que o Brasil era comunista, que tudo era culpa do PT. O PT foi associado com tanto sucesso ao sistema – o que é um paradoxo, já que foi um governo minimamente trabalhista e inclusivo numa história de séculos de dominação oligarca – que a maioria do povo preferiu votar num candidato assumidamente estúpido, preconceituoso, radical e despreparado, porque ele era “antissistema” (sic).

Segundo a previsão dos especialistas, a metodologia desenvolvida ainda teria o poder de influenciar eleições e comportamentos pelos próximos dez anos, no mínimo, funcionando para ascensão de programas de extrema direita baseados no ódio, no racismo, na homotransfobia, na misoginia, xenofobia, na erradicação de direitos trabalhistas, privatização de empresas estatais e outras agendas neoliberais e neofascistas.

Entretanto, depois de consecutivas vitórias de Steve Bannon – em síntese, aprovação do Brexit no referendo popular, eleição de Trump, eleição de Macri, eleição de Bolsonaro – seguia firme para a eleição de Salvini, na Itália e a consolidação do Brexit, pelas mãos do primeiro-ministro conservador, Boris Johnson. Entretanto, Bannon não contava com Bolsonaro. Não teve capacidade para imaginar que estava atuando para colocar no poder alguém capaz de deixar de receber um ministro de relações exteriores para cortar o cabelo, chamar a primeira dama de outro país de feia, tecer sua própria versão do “l’Etat c’est moi” com “Eu ganhei, porra! Johnny Bravo ganhou!”, negar as queimadas na Amazônia, mandar o povo defecar dia sim, dia não, em ironia à crise ambiental, mandar recados grosseiros para líderes dos países do G7, entre uma lista interminável de falsidades, equívocos e constrangimentos jamais vistos em um chefe de governo, como, inclusive, acentuou Macron em conversa flagrada pela imprensa: não é postura de um presidente.

Bolsonaro é o retrato de Dorian Gray: ignóbil, perverso, bufão, imbecil e incompetente. Eleito pelo voto democrático do povo brasileiro. O resultado, trágico, está porém provocando um contraponto inesperado. Bolsonaro está revertendo a série de vitórias de Bannon. Bolsonaro está prevenindo a modificação comportamental dos usuários das redes sociais para o que Bannon trabalha. O retrato de Dorian Gray é tão assustador que as pessoas estão se tornando menos persuadíveis e suscetíveis ao tomarem Bolsonaro como referência de um futuro à espreita. E como disse a amiga Elika Takimoto, enquanto alguns brasileiros se preocupam em não virar a Venezuela, o mundo inteiro está preocupado em não virar o Brasil.

Essa é a mensagem de Bolsonaro para o mundo. E essa mensagem é rápida. É certeira. É eficaz. Ela é racional, mas sobretudo emocional. As pessoas sofrem de um sentimento inequívoco de vergonha alheia ao verem o resultado do voto antissistema. O cenário pós-Bolsonaro trouxe para Bannon derrotas significativas e alguns avanços para a humanidade. Salvini derrotado na Itália. Boris Johnson, na Inglaterra, sofrendo consecutivas derrotas, vê o Brexit escapulindo. Macri caminhando para uma derrota estrondosa na Argentina. John Bolton, conselheiro de segurança nacional, nacionalista e belicista, principal interlocutor entre os governos Trump e Bolsonaro, foi demitido do governo Trump na semana passada. E o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontra-se em minoria e fracassa em seu intento de continuar governando Israel à frente de uma maioria parlamentar sólida.

Por caminhos tortuosos, Bolsonaro se transformou em garoto propaganda às avessas. Um Midas coprólogo, que tudo o que toca vira – perdoem a vulgaridade da linguagem presidencialesca – merda. A extrema direita está murchando como a virilidade do machão na água gelada.”

______________________
*Professora da Faculdade de Direito da UFPE, 18/09/2019.

Gilmar Mendes passa ‘sebo nas canelas’ antes do Roda Viva

Fonte: Gilmar Mendes passa ‘sebo nas canelas’ antes do Roda Viva

Em defesa da Educação: Entidades convocam 48h de paralisação – Portal Vermelho

Os diretores da executiva da União Nacional dos Estudantes (UNE) reunidos na sede das entidades estudantis na última terça-feira (10) decidiram aderir à Greve Geral da Pós-Graduação e da Ciência e Tecnologia no dia 2 de Outubro.

Fonte: Em defesa da Educação: Entidades convocam 48h de paralisação – Portal Vermelho

Flávio Dino a Haddad: “Vamos vencer a eleição de 2022. Tenho certeza” – Portal Vermelho

Nomes frequentemente cotados como candidatos à Presidência nas eleições 2022, Fernando Haddad (PT) e Flávio Dino (PCdoB) se reuniram nesta segunda-feira para um compromisso “jornalístico”: o governador maranhense foi o convidado do Painel Haddad, programa apresentado pelo ex-ministro petista nas redes sociais e na AllTV. Otimista, Dino afirmou que as forças democráticas e progressistas têm tudo para surpreender nas próximas eleições municipais, em 2020, e também na presidencial, em 2022.

Fonte: Flávio Dino a Haddad: “Vamos vencer a eleição de 2022. Tenho certeza” – Portal Vermelho

Hoje são livres os que resistem.

Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo que só a grande Filosofia, como exercício de pensar fora do senso comum, é capaz de produzir.

Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? Como se podia ser livre sob a cerrada opressão do invasor que fiscalizava os gestos mais triviais do cotidiano? Porque, dizia Sartre, cada gesto era um compromisso.

A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma.

Em linguagem retórica e poética Rosa de Luxemburgo disse algo semelhante: quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.

Sartre era existencialista: a existência precede a essência. Isto significa que não há algo anterior à existência que impeça um ser humano de tomar livremente as decisões que construirão o seu futuro. Isto dá ao humano a plena imputabilidade pelos seus atos. O que ele faz da sua existência é culpa ou mérito exclusivamente seu. O que ela é hoje resulta de decisões que tomou no passado, e o que será resultará das decisões que toma no presente.

A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável.

Na França colaborava-se por ser fascista ou filofascista. Por egoísmo social. Por ressentimento. Por ódio de classe. Para pequenas vinganças privadas, para atingir um inimigo pessoal. Colaborava-se por ausência de qualquer sentimento de solidariedade social. A colaboração com o invasor desvelava a mais baixa extração moral. Quanto a nós, tomo como paradigma uma cena do cotidiano que presenciei dia desses. Duas mulheres ao meu lado conversavam. Uma disse que seu filho de 13 anos era fã do Bolsonaro. A outra, algo espantada, faz uma crítica sutil, perguntando se ela não conversava com o filho sobre política. A resposta: “acho bonito que meu filho seja politizado nessa idade”. Com isto, quis dizer que não importava de que modo seu filho estava precocemente se politizando.

Pode-se razoavelmente supor que ela, mulher, ignore que Bolsonaro disse que há mulheres que merecem ser estupradas? Que saudou, diante de todo país, em rede nacional de televisão, o mais célebre torturador da ditadura militar? Que declarou que prefere o filho morto se ele for homossexual? Como ignorar isso tudo é altamente improvável, porque seria supor que tal mulher vive em uma bolha impenetrável em plena era das redes sociais, podemos concluir, com Sartre, que escolheu o sórdido para si e para seu filho. O que resultará dessa escolha não poderá ser imputado a Deus, ao destino, aos fatos da natureza ou a qualquer fórmula vaga e estúpida do tipo “a vida é assim”, mas a ela mesma e a seus pares brancos de classe média que tem atitudes semelhantes.

Do mesmo modo como a parcela colaboracionista da sociedade francesa escolheu a opressão do invasor estrangeiro, parcela da sociedade brasileira escolheu o retrocesso, o obscurantismo e a selvageria.

Foi em massa às ruas em nome do combate à corrupção apoiando um processo político liderado por notórios corruptos.

Regozija-se com o câncer e com o AVC do adversário politico, demonstrando completa ausência de qualquer traço de fraternidade e respeito ao próximo.

Suas agruras e dificuldades econômicas e sociais transformam-se em ódio justamente contra os excluídos e em apoio às ricas oligarquias que controlam a vida política do país (das quais julgam-se espelhos), a fórmula clássica do fascismo.

Permanece indiferente, omissa ou dá franco apoio ao aniquilamento de direitos, ao fim, na prática, da aposentadoria para milhões de brasileiros, à eliminação dos direitos trabalhistas, à entrega do patrimônio nacional a grandes empresas estrangeiras.

Seu ódio transforma em esgoto as redes sociais.

Não há como prever o que acontecerá a esta sociedade. Uma convulsão social poderá desalojar os usurpadores do poder, ou poderemos seguir para o cadafalso como povo. A História sempre é prenhe de surpresas. O que é certo, no entanto, tomando a frase de Sartre, é que somente poderão dizer no futuro que foram livres, no Brasil pós-golpe de 2016, os que agora estão se comprometendo e resistindo. É uma trágica liberdade de tempos sombrios, mas se nos foi dado viver neste tempo, que vivamos com a dignidade que somente os seres livres podem ostentar.

Hoje são livres os que resistem.

Márcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.

O Rei está nu! – Portal Vermelho

As novas revelações sobre as promíscuas relações entre o Juiz Sergio Moro e a tropa de procuradores da Lava Jato são de fato, como disse o próprio Glenn Greenwald, o que de mais grave, “até agora”, veio à tona (este “até agora” é importantíssimo). Por Wevergton Brito*

Fonte: O Rei está nu! – Portal Vermelho

O BNDES e o risco de extinção – Portal Vermelho

Durante as primeiras horas do fim de semana passado, a maior parte dos analistas políticos e os próprios atores da cena política pareciam bastante preocupados em decifrar o “modus operandi” do governo Bolsonaro. Por Paulo Kliass

Fonte: O BNDES e o risco de extinção – Portal Vermelho

Trabalhadores de transportes decidem aderir à greve geral do dia 14 de junho

Trabalhadores de transportes decidem aderir à greve geral do dia 14 de junho https://www.revistaforum.com.br/trabalhadores-de-transportes-decidem-aderir-a-greve-geral-do-dia-14-de-junho/

Não gosto de alimentar expectativa, diz Lula sobre liberdade – Portal Vermelho

Em entrevista a site, o ex-presidente afirmou também que não aceitaria sair da prisão obrigado a usar tornozeleira eletrônica.

Fonte: Não gosto de alimentar expectativa, diz Lula sobre liberdade – Portal Vermelho

Humberto Costa diz que Bolsonaro tem de apresentar projeto ao país – Portal Vermelho

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), cobrou nesta segunda-feira (3) de Bolsonaro que apresente um projeto a fim de tirar o país da crise e evitar um “mergulho em uma depressão econômica que redundará em um sério colapso social”.

Fonte: Humberto Costa diz que Bolsonaro tem de apresentar projeto ao país – Portal Vermelho